Saturday, 22 October 2016

Turma do Pateo do Collegio

There is a certain place in downtown São Paulo where a few old men & women meet every Tuesday from 2:00 PM to 5:00 PM to talk about music, films, art and reminisce about their lives in the 1930s, 40s, 50s & 60s.
Vó Jacy Castro whom I met at one of  Turma do Pateo do Collegio gatherings speaks a piece of her mind at Carnaval 2017 in Rio de Janeiro where she's been living for the past 50 years...
Vó Jacy with a gang of dangerous Communists on a street in Rio de Janeiro in Carnaval 2017.
from left to right.: Mazolinha (Luiz Eduardo), Roberto Azevedo, Luciano Sorras, Vander Loureiro & Paulo Iabutti. 
Vander Loureiro & Alfredo Esper who is a cousin of radio man Salomão Esper.  
Wanderley & Perola. 
Nenê, Thais Matarazzo & Vander Loureiro on a sunny Tuesday afternoon in 2014.
1950s singer Bianca Bellini & author Thais Matarazzo in 2014
Paraguassú's grand-daughter, musician Isaias & Thais Matarazzo in 2014
Valdir Comegno, Bianca Belini, Thais Matarazzo, Norma Avian, Estherzinha Souza & .... 

28 August 2007 - The day Salomé Parísio came calling at Pateo do Collegio 

O dia que Salomé Parísio visitou o Pateo do Collégio

Cheguei mais cedo que o costume pois Diego e Thais mandaram-me “scraps” (mensagens pela Internet), dizendo que Salomé Parísio, a famosa vedete dos anos 40 e 50, estaria chegando ao Páteo entre 13:00 e 13:30 horas, para posteriormente poder sair mais cedo. Para mim foi excelente, pois sempre sou “early bird” (pássaro madrugador) e gosto que as coisas aconteçam na primeira metade da festa, ao invés de “nirvanas” ilusórios, ou apoteóticos anti-climaxes.

Assim que cheguei, avistei o sr. Alfredo Ésper, o que é bom sinal, pois sempre conversamos ótimos assuntos sem muitos preâmbulos. Seu Alfredo sabe as datas (ano) de todos os filmes norte-americanos produzidos entre 1935 e 1960. Ele era menino do Ipiranga, perto do Museu, e seu pai tinha comércio de tecidos numa loja de esquina. Quando o Cine Palácio-Ipiranga foi inaugurado em 1938, os donos do cinema deram uma “permanente” ao pai dele, com direito a dois espectadores, em troca da permissão do cinema exibir cartaz anunciando as “próximas atrações” na vitrine do negócio. Por isso, Alfredinho, que tinha 10 ou 11 anos, ia ao cinema diariamente.

Falamos dos vários seriados da Republic Pictures que ele viu: “A Deusa de Joba” (Darkest Africa) de 1936, com Clyde Beatty & Elaine Shepard como a Deusa de Joba; “A mão que aperta” (The clutching hand) de 1936 com Jack Mulhall; “O homem elétrico” (1944), provavelmente 'Captain America', com o temível gênio do mal protagonizado pelo tétrico Lionel Atwil; “Flash Gordon no planeta Mungo”, “Flash Gordon no planeta Marte”, “Jim das Selvas”, “Frankenstein contra Drácula”, e vários far-wests, como “Buck Jones”, “Tim McCoy”, “Harry Carey” e o famoso “Tom Mix”. Seu Alfredo fez questão de citar seus artistas favoritos, todos homens, não sei porque: Tyrone Power, Robert Taylor, Franchotte Tone e Erroll Flynn. Na verdade, em conversas anteriores, Alfredo confessou sua paixão por Anne Sheridan (*21st February 1915 +21st January 1967).

Toda essa conversa sobre cinema começou por causa do LP “... E as Operetas voltaram”, do Roberto Audi, produzido por (pasmem) Lamartine Babo, que eu tinha acabado de comprar naquele sebo da rua Martins Fontes. Alfredo comentou sobre o filme “Viúva alegre” (Merry widow), com a Jeanette MacDonald e Maurice Chevalier, e daí em diante eram pelo menos 20 nomes citados por minuto. Nesse interim chegaram a Lela e Neuza. Lela viu o LP do Roberto Audi, e disse que tinha se fantasiado de Princesa das Czardas num carnaval antigo.

Mal nos assentamos, e quem chega? Salomé Parísio, de braços dados com Diego e Thais, que haviam ido buscá-la na Estação Santa Cecília, para trazê-la ao Páteo. Assim que ela chegou, as pessoas já foram se apresentando, se beijando, conversando, e todos, já sendo sumariamente transferidos para o outro lado da geografia pateana. A mudança foi feita mecanicamente, com as conversas todas somente adiadas por alguns segundos, para continuar, à todo vapor, do outro lado da vitrine “macabra”. É gozado, que sempre que passo de um ambiente a outro ali, não posso deixar de notar uma mesa de mármore, com cruz em mármore negro encravada no mármore marrom. Me disseram que ali o Papa João Paulo II celebrou uma Missa, o que parece bem solene.

Thais e Salomé já se engajaram numa entrevista gravada em pequeno aparelho digital segurado pela primeira. Ali mesmo aconteciam várias conversas simultâneas, e alguém até comentou que se espantava em ver que a entrevista não era atrapalhada; mas acho que tudo estava acontecendo numa sincronicidade muito interessante, já que Diego e Lela, também estavam num ‘tête-à-tête’ com gravador em punho. Diego nesta altura já tinha fotografado as fotos de Dolores Duran, que Lela, sua irmã caçula, fez a gentileza de oferecer à reprodução.

Várias pessoas iam chegando: seu Nenê, seu Hugo, Cícero, seu Paulo Iabutti, que distribuiu pequenos envelopes com fotos de sua ‘Gincana Musical’ do Inverno de 2007, onde houveram 5 premiados; eu peguei o quinto-lugar, pela primeira vez em minha promissora carreira. Uma amiga da Neuza, vendo as fotos de Dolores com vários artistas, declarou que não gostava da Elizeth Cardoso, e foi, por isso, imediatamente condenada ao ostracismo. 

Chegou seu Gouvêa, e eu fui lá nas mesas de traz pedir minhas desculpas a ele, por ter me esquecido de trazer, pela segunda vez, sua Lista de Seriados de 1929 à 1955. Eu tenho a lista em inglês, mas não os nomes em português. Bem, seu João Gouvêa (vi documento dele hoje) trouxe várias fotos de quando ele era Guarda Civil a partir de 1944, que eu tinha requerido dele em semanas passadas. Mostrou uma foto grande, onde 4 guardas estão de uniformes claros, até parecendo o Gunga Din na India... e de uniforme azul-marinho, parecendo policial de Nova York.

O João Gouvêa parecia um galã de Hollywood. Fui mostrar prá Lela o documento policial dele, com uma foto onde ele tinha 19 anos. Um verdadeiro galã. A Lela falou que ele não passaria na rua dela incólume. Reproduzi o diálogo pró Gouvêa e ele achou graça.

Apareceu um cirurgião cardíaco do Hospital das Clínicas (HC), que queria saber de várias músicas. Seu Paulo me chamou para ouvi-lo cantarolar um trecho de música para uma identificação. Assim que ouvi os primeiros acordes e letra, sabia que não conhecia. Ele cantarolou uma segunda, e o seu Guilherme (o homem que já foi assaltado 30 vezes, entre Minas e S.Paulo) matou... Daí eu chamei a Thais para ver se ela ajudava, e o cirurgião cardíaco protestou dizendo: “ -Mas ela é muito nova!”, fazendo uma cara de interrogação. Eu disse, sem muito esforço, “ -Mas pode ser que ela saiba!”. E não é que ela soube mesmo? O cirurgião ficou boquiaberto, com toda razão.

Ele, com sua barba e cavanhaque totalmente brancos, continuou, sacando um montinho de cartões-de-apresentação do bolso, dando um para seu Guilherme, e procurando a Thais, que a esta altura já estava em outro sub-grupo para dar-lhe seu cartão. Os Japoneses é que usam esse sistema de cartão.

A esta altura o pessoal estava todo empolgado e falando sem cessar. Salomé declarou que iria cantar um numero “à capela”. Eu até pensei em começar a cantar em coro, para “quebrar o gelo”, mas para meu espanto, Salomé levantou-se, estendeu os braços e soltou os primeiros versos de “Carinhoso”. As vezes ela cantava sussurrado, outras soltava a voz até as alturas, dando uma interpretação emocionante. Eu geralmente me sinto constrangido com demonstração de sensibilidade emocional, e comecei a retorcer os pés e as mãos. Quando me dei conta do meu comportamento “compulsivo”, me lembrei do sábio conselho da Martha Suplicy, de “relaxar e gozar”, e o pus em prática; então a coisa ficou mais leve. Quando Salomé deu as últimas notas foi devidamente aplaudida. Alguém pediu-lhe que cantasse: 'Biatatá' (ô, biatatá, o biatatá, êsse côco saboroso você come e não me dá). Como ela titubeou, eu próprio comecei a cantá-la, mas quando chegou na ‘bridge’ (2ª parte) eu empaquei. Salomé me olhou, como que dizendo: “-Ué, cadê o resto da música?”. E ela própria começou novamente e a terminou num rebolado do mais erótico para uma senhora de 87 anos.

Seu Nenê disse que quando viu a Salomé achou que já a conhecia. O Wanderley disse que a Salomé era de “fechar farmácia em dia de plantão” e que esperou 80 anos para poder conhecê-la. A Dirce disse que essa Salomé era do “balacobaco”, não especificando exatamente o que era esse tal de “balacobaco”.

Salomé despediu-se de todos individualmente, o que durou alguns minutos, e desapareceu prá dentro das entranhas do metropolitano de São Paulo, amparada pela mesma Dupla Dinâmica que foi buscá-la.

Assim que eles voltaram da Estação Sé, eu, Lela, Thaís e Diego tomamos o “caminho da roça”. Fomos em direção a rua Líbero Badaró. Diego desceu o subterrâneo no Largo São Bento, Thaís pegou o “Mercado da Lapa”, eu e Lela apanhamos o “Cidade Universitária”; descemos nas Clínicas, e pegamos o “Jardim João XXIII”. A viagem de volta foi muito gostosa, pois eu e Lela sempre conversamos assuntos dos mais diversos. Como estou interessado na vida da Marisa, Gata Mansa, perguntei sobre os vários incidentes da vida dela.

Lela contou do tempo já no fim, que Marisa morava num apartamento na rua Barão de Ipanema, em Copacabana. Depois que ela estava lá, chegou o filho Marcelo com a nora Andréia. Marisa não se dava com a nora, pois achava que ela fez o filho brigar e sair do conjunto que acompanhava o Djavan, e outros músicos.

Perguntei sobre o lançamento de “Viagem”, que tornou-se o maior sucesso da Marisa. Lela disse que foi lançado em 1972, num barco ancorado na Baia da Guanabara. É interessante que teve que se passar mais de 15 anos para que Marisa conseguisse um grande sucesso, já que ela gravava desde meados da década de 1950. Lela disse que vai falar com o Toni Vestane, cantor e compositor (Marisa gravou pelo menos duas de suas músicas), muito amigo do Roberto Audi, para que ele mande dados biográficos dele e do Roberto Audi. Eu comecei a me interessar por esse cantor.

 Luiz Amorim.

Hugo Giovanelli, Norma Avian, Jaime Moura & Carlus Maximus (wearing white) in 2009.
Vander Loureiro & Paulo Iabutti. 
Roberto Gambardella in 2014. Mr. Gambardella used to own a 2nd-hand record-shop called Lomuto Records near Praça da Sé. 
Romeu Bragherolli & Vander Loureiro. 
Luiz Amorim aka Carlus Maximus & Denise Duran aka Irley Rocha at 'Passatempo Musical' on 19 September 2014
from right to left: Cicero, Nenê, Wanderley, Non-identified man & singer Ignacio circa 2013.
from left to right in the back row: Paulo Iabutti, his sister Nancy Iabutti, Ary, Luiz Roberto aka Mazzolinha, Wanderley, Milton, Roberto Gambardella, Vó Jacy de Castro, Ivany (Manuel's wife), Maria Matarazzo (Thais's mother), Manuel and Luiz Amorim aka Carlus Maximus. At Paulo Iabutti's house at Brooklin Paulista on his yearly 'Passatempo Musical24 November 2012
Same day in 2012, at Paulo Iabutti's house in Brooklyn... Ary - at the centre with a small moustache being talked to by Milton - would be the first to die in this group. One morning, not too far from 24 November 2012, he had a massive heart attack at home with only his wife as a witness and helper. He struggled hard but couldn't help but give up. 
at Parque da Agua Branca - 17 November 2008; Alberto Augusto Martins aka Nenê, Gabriel Gonzaga, Sirlei, Thais Matarazzo, Mara & Luiz Amorim aka Carlus Maximus
Denise Duran & Carlus Maximus at Pateo on 22nd May 2018.
Seo Nenê aka Sr. Alberto (who turned 91 years old on 21st May 2018) & Luiz Roberto aka Mazzolinha.
José Raimundo & Denise Duran 
Moisés, Luigi, .... & Claudevan Melo on 22nd May 2018.
Alberto Augusto Martins aka Nenê or 'Seo' Nenê with Gui Castro Neves who lives in Rio de Janeiro but sometimes visits São Paulo... this shot was taken on Tuesday, 29 October 2019. 
Gui Castro Neves & Carlus Maximus aka Luiz Amorim or Lulu Pavone on 29 October 2019, at Pateo do Collegio. 
Gustavo Lopes (from Brasilia-DF), Carlus Maximus, Walter Vidal, Raimundo José, Denise Duran & Gui Castro Neves at Pateo do Collegio on 29 October 2019.
Gustavo, Gui, Denise, Carlus, Raimundo & Walter plus Pateo's Security Man's Shadow... on a Tuesday late afternoon... 
Musical Quizz (Passatempo Musical) promoted by Paulo Iabutti took place on 27 September 2014, at a common room in a residential building at Rua Relíquia, in Casa Verde. From left to right clockwise: Claudemir & Milton Baumgarten (crouching), Sirley Jaldim (resting her hands on Claudemir's shoulders), Nancy Iabutti, Wanda (far left), Ivany & husband Manuel Carvalho, N.I. woman (resting her hand on the table), Raimundo José, Maria do Carmo Giordano, Luiz Amorim (back), Gambardella (back), Neusa Guerreiro (centre), Luciano & Lucio Silva (back), Denise Duran (next to the table), Gilberto Ignacio (back), Luiz Roberto aka Mazzolinha, Romeu Bragherolli, Paulo Iabutti (sitting down), Fausto Menito, Luiz Nicassio & Wanderley Monteiro. 
Wanderley Monteiro. Eulogy written by Claudevan Melo after Wanderley passed away:

Parodiando Maximo Gorki em "Minhas Universidades", aqui está o Reitor da minha vida "acadêmica de colecionista", Wanderley Monteiro, proprietário de uma farmácia no bairro Pompéia em São Paulo.

Colecionador de música brasileira desde sua juventude, em 1940. Frequentador da antiquissima Casa Lomuto, quando ainda era de Jose Cardillo, na Liberdade, bem antes de Gambardella, que foi seu proprietário por 35 anos.

Wanderley nasceu em 6 Agosto 1927, em Botafogo, no município de Bebedouro-SP, o ano da 1a. gravação elétrica no Brasil, feita por Francisco Alves, da chegada no Rio de Janeiro dos Turunas da Mauriceia, da epopéia de João Ribeiro de Barros, 1° brasileiro a cruzar o Atlantico com o hidro-avião "Jahu". 

Conheci Wanderley em 1978, em feira de discos que acontecia nos fundos do Páteo do Colegio, onde São Paulo foi fundada por José de Anchieta, Companhia de Jesus, como Planalto de Piratininga. 

Foi através de seus conhecimentos adquiridos ao longo de sua Ode a "Era de Ouro" do nosso cancioneiro que vim a saber que existiram Jararaca-Calazans, Peterpan, Hekel Tavares, Augusto Calheiros, máximos expoentes da nossas raízes musicais.

Como um vírus benéfico passado a mim por Wanderley e outros como Gambardella, Leon Barg, Paulo Iabutti, Brilhante, Gouveia, Joaquim, Miguel Moisés etc, tomei o gosto pelo colecionismo. 

Em 26 Junho 2025, Wanderley nos deixou  órfãos. Resolveu partir para ensinar a arte do colecionismo no infinito, pois aqui sua missão foi cumprida até seus momentos finais.
 
Sou eternamente grato a estes professores e mestres,  os quais me deram formação auditiva e gosto pela Era de Ouro do Cancioneiro brasileiro.  Claudevan Melo.

Wednesday, 1 June 2016

Claudio de Barros - Luis Bordon - Nazareno de Brito

Claudio de Barros was a cross between country and pop music. He usually sang accompanying himself with an acoustic guitar even though his most popular recordings: 'Cinzas do passado', 'Teu desprezo', 'Separação' and 'Convivência' were all accompanied by an accordion which is a sure enough indication of Brazilian country music style. His first and greatest hit - 'Cinzas do passado', was actually a tango.

1959 E.P. 'Cinzas do passado'.
Claudio de Barros plays his guitar for a select audience in a gym in São Paulo, 1959. Couch Kid Jofre next to Claudio wears a white shirt; his champion-son Eder Jofre kneels and looks up; boxeur Claudio Tonelli, Gibi, Luizão & Ralf Zumbano all look amused. 
Claudio de Barros with his Cadillac he bought with the proceeds of only one record: 'Cinzas do passado'.

Claudio de Barros nasceu em 24 Outubro 1932, em Itanhandu-MG. Seu pai, Álvaro de Barros costumava dedilhar as cordas de um violão. Claudio foi tomando gosto pela musica e imaginava-se cantor, além de ter começado a aprender a tocar o violão com 6 anos. Em 1940, com 8 anos, fez sua 1ª apresentação em publico numa festa de formatura do Ginásio Sul Mineiro. Nessa ocasião, de violão em punho, cantou a valsa ‘Maria Helena’, uma difícil melodia do repertório de Francisco Alves.

Desde criança imaginava-se cantor . Em 1944, com 12 anos, mudou-se com a família para São Paulo. Depois de ter vencido muitas rodadas do programa de calouros ‘Peneira Rodini’, tornou-se profissional da Radio Cultura em 1948, transferindo-se para a Radio Gazeta, a emissora de elite, em 1950.

O rapaz parecia encontrar fácil o caminho do sucesso. Cantava imitando Dorival Caymmi e isso foi-lhe prejudicial. Sem possuir estilo próprio ficou relegado a um plano inferior, acabando por encontrar a decepção.

- Em 1956, já com 22 anos, desisti de cantar em São Paulo e tentei o Rio de Janeiro, onde o fracasso foi ainda mais contundente. Cansado de tudo, ingressei na Aerovias Real, tornando-me comissário de bordo.

- Como voltou ao radio?

- Em 1958, casualmente o barão-da-imprensa Assis Chateaubriand viajou em um avião, do qual eu era comissário. Aproveitei a oportunidade para pedir-lhe uma recomendação. Ele me mandou-me ao dr. Eduardo Monteiro, diretor-geral das Emissoras Associadas, em São Paulo. Submeti-me a testes e assinei contrato com a TV Tupi.

Logo, Claudio foi convidado pelo diretor artístico da Chantecler, Palmeira (Diogo Mulero) e gravou o tango ‘Cinzas do passado’, que ele compôs como uma homenagem a Francisco Alves e Carlos Gardel – dois artistas que se tornaram cinza. O próprio Claudio de Barros faz a revelação:

- ‘Cinzas do passado’ foi para o 1º lugar absoluto e foram vendidas mais de 150.000 cópias que me rendeu mais de um milhão de cruzeiros.

- Que fez do dinheiro ganho?

- Eu conheci Francisco Alves pessoalmente.  Muitas vezes pedi a ele que me ajudasse. P’ra que negar? Eu tinha inveja do Rei da Voz e imaginava também ter um dia, um automóvel como o dele. Assim, quando pude, não comprei um Buick, mas um Cadillac.

- Então, um só disco deu-lhe um Cadillac?

- Não somente um Cadillac, mas, sobretudo, encheu-me de confiança em mim mesmo. Terminei o meu contrato com a Tupi. Agora vou lutando como ‘franco atirador’. 

 Claudio de Barros tells his story to Revista do Radio 13 February 1960.

L U I S   B O R D O N,  harp player

Revista do Radio, 28 December 1963.
Ana Lucia & Luis Bordon at Radiolandia # 313, 2nd April 1960

N A Z A R E N O    D E    B R I T O

Nazareno de Brito's portrait by Gerard, Rio. 

Nazareno Fortes de Brito was born on 21st February 1925, in Catumbi, Rio de Janeiro-DF. He followed the military career having been a major at the Brazilian Army. He has written various hits like 'Encantamento', 'Acordes que choram', 'Abandono' and 'Coisas do passado' sung by Angela Maria, 'Neurastênico' which topped the charts with Betinho & his combo, 'Refugio' with Paulo Tito, Dircinha Costa & Luizinho plus 'Sal e pimenta' with Luiz Bandeira.

Nazareno de Brito has written hits in partnership with Fernando CesarNewton RamalhoBetinhoLuiz Claudio and Othon Russo who is his cousin. 

He has just bought an apartment in Fatima, with the money he had saved while serving the Brazilian Army in Europe, during WWII. He has also made some money in the past 2 years through his hits sung by Angela Maria and Betinho. 

'Correio da Manhã', 27 November 1955.
'Correio da Manhã8 August 1954; Musica Popular columnist lambasted 'Neurastênico' as unbearable... even though it was the Number One record in the land... 
D.J. Walter Silva aka Pica Pau laughs at Nazareno de Brito on the right in the late 1950s.



Monday, 30 May 2016

MARIO AUGUSTO, o twist é bom 1962

Mario Augusto dances the twist with a neighbourhood kid... 

Mario Augusto Santos was a Black youth from Jundiaí-SP who enjoyed singing since he was a child. He worked as an office boy at a local bank and his parents would love to see him graduate from school and become an accountant. But Mario wanted to become a professional singer so he up and took a train to São Paulo and started doing the radio stations round. After singing at gong-shows he finally landed a contract with Radio America.

Soon Mario was led by the capable hands of Denis Brean and Lupe Ferreira who took him to Odeon where he recorded his first single. He was lucky when he covered Roy Orbison's 'Claudette' which actually charted well. Mario was signed by Radio Tupi, being one of the attractions on Julio Rosemberg's show.

In 1960, Mario moved over to Copacabana Discos and had a mild hit with "Adão e Eva' which he translated from Paul Anka's 'Adam and Eve' but had to compete with Carlos Gonzaga's Fred Jorge translation of the same tune. Mario was signed by Radio & TV Record appearing at Cesar de Alencar's 'Cast dos Novos' and charted well during 1961 Carnaval with 'Desfolhei a Margarida'.

Mario Augusto's big break came with 'O amor de Terezinha' a Country & Western-tinged fox-trot penned by himself as Oiram Santos (Mario spelt backwards) and Rubinho. The single was released in October 1961 and had a lot of air play.

With the twist-craze at full throttle in mid-1962, Mario Augusto recorded Baby Santiago's 'O twist é bom' which did excellent business too.
Mario Augusto's extended-play for Odeon with 'Claudette', 'Piove', 'Canção do pula-pula' and 'Eu sou o vento'.
Mario Augusto, DJ Lupe Ferreira, Caco Velho & DJ Alfredo Gramanne in 1958; Radiolandia 242.
Mario Augusto at Radiolandia, November 1960
Mario Augusto at Revista do Radio while 'O amor de Terezinha' was #1 in 1962; on the right Mario in 1961 when he toured Uruguay. 
Mario Augusto sings & swings at a Carnaval ball.
Radiolandia #310, February 1960; Mario Augusto was signed by Radio Record for some time and took part in programmes like 'Alegria dos bairros' presented by Geraldo Blota. This particular one was at the height of 1960 Carnaval festivities.
sheet music for 'Plantei amor' a samba recorded by Mario Augusto in 1961.
Mario Augusto talks to Radiolandia's journalist Arnaldo Câmara Leitão about his stint at Uruguay's resort town of Punta del Este in the first 20 days of February 1961. Mario was the next Brazilian attraction after a successful stint by Maysa at Vogue, the night-club of posh Casino San Raphael which sessions were all broadcast live by CX-22, Radio Universal de Montevideo. Mario Augusto says he was really glad when he realized Brazilian music was really popular in Uruguay.

'I had already heard people saying Brazilian music was really popular in Uruguay but it was a surprise to realize Uruguayans play more Brazilian music on their radio than over here. That's the sad truth. Agostinho dos Santos, João Gilberto, Elza Laranjeira and Maysa are the most popular Brazilian acts there now. Trio Pagão's Gaguinho, Lozá & Benê are kings there. Salomé Parisio is queen. The most popular song at the moment is Dolores Duran's 'A noite do meu bem' sung by Elza Laranjeira'.
Radiolandia #352, March 1961; Mario Augusto, Uruguayan crooner Mario Ponce de Leon & Brazilian enfant-terrible João Gilberto in Punta del Este, Uruguay.
Revista do Radio hails the new faces of 1960: Celly Campello, George Freedman, Agnaldo Rayol, Ronnie Cord, Franquito, Mario Augusto, Bobby de Carlo e Roberto Vidal.

Before getting into show business, Mario Augusto dos Santos used to be an accountant. He was born in Jundiaí-SP and became a singer through competing in gong-shows.
By early 1962, Mario August had a whole album released called 'Conflitos emocionais'; by May 1962, Mario Augusto hit with 'O twist é bom'.

E.P. 3326 containing 'O amor de Terezinha', Mario Augusto's greatest hit plus 'Cidinha', 'Sempre no meu coração' and 'Julia'.
E.P. made in Portugal: 'O amor de Teresinha' / 'Viajando com meu amor' (Wheels) / 'Conflitos emocionais' / 'Porque'. 
EP 3425 released in early 1964 shows Mario Augusto turned his attention to the music made in Italy which was the flavour of the moment: Mario sat down and translated 'Stessa spiaggia, stesso mare'  (Quando chegar o verão) made popular by Mina in 1963 but also recorded by Piero Focaccia for CGD. 
2 years later in 1966 Mario rode on the French music invasion with (544) 'Vai ser bom', a cover of Richard Anthony's 'Ça serait beau' which gave a boost to a sagging career. Mario was accompanied by The Jordans.
In 1968 (730) Mario records 'Cala meu amor' written by Osmar Navarro b/w 'Botãozinho de rosa'.
by 1973, Mario Augusto had left Copacabana Discos and recorded 'É amor' (Mario Augusto-Marco Antonio) b/w 'Vem comigo' (Luis Eduardo-Célio Sanches) for Fermata under a new numbering system: 301.1050.

Torero / Eu sou culpado - Odeon (1958)

Não sei / Claudette - Odeon (1958)

Eu sem você / Trem do amor - Odeon (1959)

Piove / Il sono, il vento - Odeon (1959)

Canção do hula-pula / Grande amor (Mario Vieira-Armando Castro) - Odeon (1959)

Adão e Eva (Adam and Eve) Paul Anka; v.:Oiram Santos) / Sou de pouca fala - Copa (1960)

Dia triste (Don Gibson; v.: Oiram Santos) / Nana nenê (Oiram Santos-Marlo)  Copacabana (1960)

Tenha pena de mim / Desfolhei a margarida - Copacabana (1961 Carnaval)

História de amor / Pedra no caminho - Copacabana (1961)

O amor de Terezinha (Rubinho-Oiram S.) / Viajando com meu amor (Wheels) Norman Petty (1961)

Calcutá (Culcutta) Heino Gaze- v.: Romeu Nunes / Plantei amor - Copacabana (1961)

Sempre no meu coração (Lecuona; v.:Mario Mendes) / Porque (calypso de Rubinho-Paulo Valério) (1961)

Cidinha / Andeio - Copacabana (1962)

O twist é bom (Baby Santiago- ) / Tu me desprezas - Copacabana (1962)

Conflitos emocionais / É você quem pensa - Copacabana (1963)

Caraboo / Vendaval do amor - Copacabana (1963)

Adão sem Eva (Oiram Santos-Jose Saccomani) / O cravo e a rosa - 1963 Carnaval

Tô gamado (Oiram S.-J.Saccomani) / Pedrinha de gelo (Oiram S.-Ézio Augusto) - Copa (1964)
'Sou de pouca fala' (I don't talk too much) was the flip-side of 'Adão e Eva', Mario Augusto's own translation of Paul Anka's 'Adam and Eve'.