Monday, 26 October 2020

CHORO at Contemporânea music shop (essays)

 

Sábado, 11 Agosto 2007 na Contemporânea 

Sentar-se à beira da roda-de-choro na Contemporânea aos sábados, a partir das 11 horas da manhã, é sempre uma experiência diferente. Nunca se sabe o que vai acontecer naquele “pagode” (ou seria sarau?). Às vezes os músicos não arredam pé de suas prerrogativas de somente tocar seus bandolins, cavaquinhos, violões de 6 ou 7 cordas, pandeiros, tumbadoras etc... e “selvagemente” excluem qualquer participação em sua roda, de elementos canoros, mais conhecidos como cantores.

Certos músicos, de hábitos dos mais extravagantes, como “afinar o bandolim apoiando-o em sua cabeça” - sim! Existem tipos dos mais incríveis na roda-de-choro – são particularmente ferozes na sua recusa em acompanhar simples mortais cantores. Outros, de tipo um pouco mais brando, simplesmente fazem caretas, ou, quando interpelados a acompanhar um pobre cantor, dizem: “- Vou tocar só esse choro, e o próximo é seu”. Só que este choro se transforma em 3 ou 4, e o pobre coitado do cantor vai lamber sua ferida em algum canto, inventa uma visita ao banheiro, ou simplesmente atravessa a Rua General Osório para afogar a rejeição (pública) num copo de “51” ou outro destilado qualquer.

Hoje, dia 11 de Agosto, particularmente, foi muito peculiar, pois a plateia estava bem reduzida em relação a outros Sábados. A roda-de-choro, ou chorões, como dizem outros, também estava em número menor. Cá entre nós, eu sei porque certo bandolinista [de pouco cabelo na cabeça] não apareceu hoje... é que ele se sentiu ultrajado pelo aparecimento de um outro bandolinista rival (que, dizem, vive em Paris, França) com um banjo infernal, que cobriu o som de todos os instrumentos no último sábado. O primeiro se retirou indignado quando o “banjeiro” não se “mancou” e continuou a “atropelar” a roda... Mas isso está mais para ‘Mexericos da Candinha’ do que propriamente para uma ‘crônica’.

O choro continuava a todo vapor quando houve um certo rebuliço perto do nosso banco, pois uma loira altíssima (quase platinada) vestida numa calça-comprida de fazer babar os “velhinhos” locais, e cabelos compridos do mais intenso dourado, que escorriam pelas suas costas e ombros, foi levada à roda pelas mãos de seu marido. Aliás, a loira estava sentada do meu lado, e eu nem tinha percebido que havia ali uma “estrela”. A loira sorriu a todos, fez alguns gestos com a face e se recusou a ficar no meio da roda de músicos, preferindo sentar-se humildemente numa cadeira de lado, de onde, aos sons de violões e bandolins, interpretou “Eu sei que vou te amar”, com a ajuda de toda plateia. A loira fez cara de tímida, fazia que ia, quase não ia, mas foi... e terminou a canção sem dar maiores vexames. Recusou terminantemente um bis e foi se esconder por ali mesmo, enquanto os músicos atacavam com seus números instrumentais.

Agora era a vez de Maria Luiza, a ítalo-brasileira, nascida na rua Sto. Antônio, no Bexiga, mas domiciliada na Vila Prudente, com passagem obrigatória pela Mooca, que é baixinha, mas tem um aparelho vocal de dar inveja a loiras altas e robustas. Maria Luiza arrasou na interpretação de “Devolvi”, popularizada pela saudosa Nubya Lafayette, além de ter vendido toda sua cota de CDs que tinha em sua bolsa. Cantou dois números (tinha cantado 2 anteriormente). 

O público exigiu mais, mas os músicos não atenderam aos pedidos e chamaram a Maria, que cantou “Malandro”, de Jorge Aragão & Jotabê, seu ‘piece-de-resistance’, onde foi naturalmente acompanhada por coro geral. Maria, que hoje apresentava um penteado novo à base de muitas escovadas, aproveitou o embalo e seguiu com um pequeno “pot-pourri” de “Olhos verdes” (Vicente Paiva), “Isto aqui, o que é?” aka 'Sandália de prata', de Ary Barroso, gravada por Moraes Neto & Orquestra Fon-Fon em 1942) e “Faceira” (de Ary Barroso, gravação de Sylvio Caldas em 1931), curiosamente uma junção contraditória de dois estilos contraditórios; o chamado Ufanista, nas duas primeiras canções, e o ‘Malandrista’, tão execrado pelo Estado Novo, que inclusive proibiu certos sambas de Wilson Baptista por fazerem “apologia à vadiagem”, na última, que descreve um personagem que”‘tem visage e dá rasteira no pessoal”. Acho que esse foi o ponto alto do sarau de hoje.

Depois da apresentação magnífica da Maria, que até momentos antes dormia em sua cadeira, depois de ter traçado (minutos antes) uma bela feijoada no bar-restaurante de frente da loja, a loira sentiu-se encorajada e pediu para cantar novamente... e dessa vez ela ficou de pé, entoando os primeiros acordes de “A deusa dos Orixás” (Romildo-Toninho) um ponto-de-candomblé do LP 'Claridade' (1975) de Clara Nunes. ‘Iansã, cadê Ogum?’, a loira repetia, primeiro só olhando para o lado da parede esquerda (de quem vem da rua) e depois, já ensaiava uns passos de samba, o que fez com que os olhos de velhinhos, e certos rapazes mais afoitos, se arregalassem. Fui informado de que ela é ‘loira de farmácia’... mas assim mesmo espanta... e além de tudo a loira tem duas filhas adolescentes, com vastas cabeleiras de assustar até o elenco da peça “Hair”; cabelos longuíssimos... se ajuntassem o volume de cabelo da mãe e duas filhas, daria para fazer perucas para todos os velhos carecas do lugar – eu, incluso – e ainda sobraria material para chanéis dos mais variados.

Ah, o marido da loira é um exímio violonista e não brinca em serviço.

Maria Luiza vendeu muitos CDs nesse sábado. Acompanhada de Mario Beltrame (bandolim); Jahyr Pavão (violão 7 cordas); Lula (cavaquinho); Pedrinho & Carlão no pandeiro, maraca, bumbo e réco-réco. Gravação realizada em 2005 no Clube Macri (Nossa Seresta), do Roberto Fioravanti, as terças-feiras das 20:00 as 22:30, na Rua Oscar Horta, 86, Moóca. Maria Luiza cantava às segundas-feiras na Pizzaria do Angelo na Rua do Oratório, 638, Moóca.

Eurides Macedo sings at Contemporanea on a Saturday morning.

Sábado, 18 Agosto 2007 MONDO  CONTEMPORÂNEA 

Mais um sábado ensolarado, ainda de um agosto meio frio; e nada melhor do que dirigir-se em direção à Cracolândia para uma manhã de chorinho na loja Contemporânea. Nunca pensei que o termo ‘crack’, que em inglês significa ‘pipocar’ (pois é justamente isso que acontece com a escória da cocaína quando colocada sob fogo), fosse sinônimo de algo alegre. Meio semelhante com a denominação “choro”, que não é necessariamente triste pois o “choro” musical pode ser bem alegre. Sendo dia de vacinar cães e gatos contra a raiva, presenciei vários desses espécimes sendo picados com agulhas pelos fiscais da saúde em plena Praça Princesa Isabel. Alguns davam pequenos latidos quando injetados, e percebi que os gatos eram mais ‘corajosos’ que os cães.

Ao chegar à rua General Osório notei que os banheiros dos bares e restaurantes não estavam funcionando devido ao racionamento de água em São Paulo. Tomei um cafezinho e rumei em direção à loja do sr. Miguel. Os “cobras” costumeiros não estavam presentes, mas o “choro” não pode parar. O bandolinista Osvaldo aka Mosca, aquele que afina seu instrumento em cima de sua cabeça - tocou 2 ou 3 e já estava se preparando para ir embora, para alegria de alguns. Antes que o Osvaldo se alongasse muito em seus solos, o João do Macacão, violonista da roda, começou a tocar e cantar “Me deixa em paz" (Se você não me queria não devia me procurar...), samba de Monsueto Menezes, cantado originalmente por Linda Baptista para o Carnaval de 1952. O público cantou junto. João emendou com “Coqueiro velho” (Fernando M.Filho-José Marcílio, gravado por Orlando Silva em 1940) e “Inquietação” (Ary Barroso, gravado por Sylvio Caldas em 1935). Só soube os títulos pois Vander Loureiro tinha acabado de chegar e fez seu costumeiro papel de ‘cicerone’ musical: quando não sei o nome de uma canção, pergunto a ele, ou a quem estiver por perto.

Veio então o Nelson Gonçalves-dos-pobres, que encontrou um jeito de se engraçar com o Arnaldinho, que estava um dínamo ao cavaquinho, e conseguiu cantar seu repertório manjado. Até que hoje ele foi simpático, embora tenha semi-tonado algumas vezes. Tentou cantar “A deusa da minha rua”, com Jamil ao violão de 7 cordas, mas a coisa degringolou de vez. Ele, realmente, não pode se afastar de “Nersão”, seu mentor, pois dá xabú. Ensaiou cantar “Pensando em ti”, mas acabou vocalizando “Marina”, de Caymmi.

Wanda, a moça que sempre faz dueto de “Esse seu olhar”/ “Só em teus braços” (Antonio Carlos Jobim) com o Turquinho, resolveu apresentar algo diferente, e agradou: cantou “Doce de coco” com muita maestria, e completou o segmento com “Esses moços”, do Lupicínio. Ela disse ao Vander que o Turquinho tem andado doente ultimamente.

O próximo foi um gordinho que sentava perto de mim, que convenceu o Arnaldinho a dar-lhe uma chance, e cantou “O mundo é um moinho” de Cartola e “Alvorada” de Carlos Cachaça, enquanto seu filho gravava tudo num minúsculo MP4, que a Thais disse custar mais de 250 reais.

Sansão”, cujo nome verdadeiro é Orlando, cantou “Minha rainha” (de Lourenço-Rita Ribeiro, gravada por Noite Ilustrada), como sempre, só que o povo resolveu não acompanhá-lo no coro dessa vez. Ah, o refrão seria o fatídico: “Ai, amor!”.

O velho senhor que sempre canta “Nega manhosa” (Herivelto Martins) cantou-a novamente: 'Levanta, levanta nega manhosa / deixa de ser preguiçosa / vai procurar o que fazer / Nega, deixa de fita / prepara a minha marmita / levanta nega / vai te virar'... e bisou com “Beija-me”  (Roberto Martins-Mario Rossi, gravação de Cyro Monteiro de 1943) que sempre agrada milhões, e foi cantada em coro pela maioria dos presentes. Agradou em cheio. Ele resolveu voltar logo em seguida, mas foi rechaçado por um dos músicos (em boa hora, diga-se de passagem).

Maria levantou-se e cantou “De volta p'ro aconchego”, de Dominguinhos, que sempre agrada a plateia, seguida de “Só vendo que beleza', mais conhecida como 'Casinha da Marambaia” (Henricão-Rubens Campos, gravada por Carmen Costa em 1942) e como bis ela fez uma salada paulista (ou seria russa?) apresentando “Leva meu samba” (Ataulfo Alves), seguindo com “Nêga” (Waldemar Gomes-Afonso Teixeira, gravada pelos Anjos do Inferno em 1949 e por Jorge Veiga em 1963) (“Nêga, não despreze o teu nêgo / do contrário eu vou morrer de dor”) e na metade mudou para “Amélia” (Ataulfo Alves-Mário Lago)... no interlúdio ela já não sabia mais se cantava uma música ou outra, confundiu “Amélia” com “Leva meu samba”. O Vander disse que ela deve ter tomado umas “manguaças” junto com a fatídica feijoada que ela traça aos sábados. Se não fosse o Arnaldinho, que a ajudou a se achar, ela teria passado vexame maior (do que passou). No final cantou seu “cavalo-de-batalha”, “Malandro”, do Jorge Aragão.

Vander Loureiro cantou em dois segmentos. Primeiro foi “Cigana” (Nonô-Paulo Roberto), do repertório do Sylvio Caldas, que se não fosse pela Thais eu não saberia o título. Mais tarde cantou seus sucessos “Por causa dessa cabocla”, “Morena boca de ouro”, “Feitio de oração” e uma nova (para mim): “Perfil de São Paulo”, música que Sylvio Caldas gravou na comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo.

O choro de hoje não foi dos mais significativos. Lá pelo final apareceu a cantora do Vai-Vai e sambou prá valer... cantou o samba que fala do “Bexiga” e o “Tiro ao Árvaro”, que foi cantado por todos... houve muita marcação com palmas também, o que dá a impressão de se estar numa sessão de candomblé. Hoje ela não desafinou, como quando canta “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá.


Sábado, 25 Agosto 2007 - O dia que o Turquinho morreu!

24 de Agosto de 2007, exatamente 53 anos da fatídica morte do Presidente Getúlio Vargas, morre nosso querido “Turquinho”, cantor e percussionista maior da turma que freqüenta a loja de instrumentos musicais Contemporânea. José Dias Marcolino era provavelmente descendente de portugueses ou italianos. Não se sabe porque tinha esse apelido pois tinha mais cara de italiano da Mooca do que árabe. E acho que posso ter acertado aí, pois ele era torcedor do Palmeiras, ex-Palestra Itália, nome que foi mudado quando o Brasil entrou na Guerra Mundial contra o Eixo, do qual a Itália era um dos 3 participantes.

Hoje foi dia de ‘morte’. Logo de manhã recebi um ‘scrap’ do Pedro, do Rio de Janeiro dizendo que soube, há alguns dias, que a Célia Vilela morreu. Fiquei chocado, pois afinal a Célia, que foi 'namoradinha' do Neil Sedaka quando ele visitou o Brasil, sendo também apresentadora de programas de rock na Radio Globo do Rio e TV Continental; enfim a rainha do rock do Rio de Janeiro. Como pode uma Rainha do Rock morrer? Embora ela fosse completar 70 anos em outubro.

Cheguei um pouco atrasado ao choro da Contemporânea, e assim que entrei a Thais soltou a bomba: “O Turquinho morreu!”. Arnaldinho já tinha feito uma homenagem a ele, com participação do ‘seu’ Miguel. Eu ainda estava apalermado com a notícia quando começaram a cantar ‘Andança’ (Paulinho Tapajós-Edmundo Souto-Danilo Caymmi) e o povo acompanhou forte mesmo; tão forte que encobriu totalmente a voz do solista. O salão de concertos estava apinhado de gente, mas, de-repente o local se esvaziou como num passe de mágica. Ficou aquela angústia no ar, sentindo-se a falta do Turquinho, que estava sendo velado, naquele momento, em algum lugar de Santo André, para ser sepultado às 16:00 hs. Que coisa mais surrealista! 

O Turquinho era a ‘alma da festa’. Bastava chegar, pegava um pandeiro, entrava no meio da roda e cantava seus ‘sambas paulistas’... muito Adoniran Barbosa, Bexiga, Mooca e Bráz. “Com a corda Mi do meu cavaquinho, fiz uma aliança prá ela, prova de carinho...”, nunca mais vou esquecer dele.

O mais absurdo de tudo foi a música que cantaram em homenagem ao falecido: “Mãe solteira' (sub-entitulada de 'Tocha humana' ou 'Maria da Penha') de Wilson Baptista-Jorge de Castro, gravada por Roberto Silva), que conta a história de uma moça solteira que, descobrindo estar grávida e sabendo que o pai da futura criança não a levará ao altar, embebe suas roupas de álcool, risca um fósforo, entra em combustão, e rola pela ribanceira abaixo até um final dolorido. Eu sempre achei essa música indecente, mas era uma das músicas favoritas do Turquinho. E não é, de certa maneira, irônico que justo essa tragédia-em-forma-de-música tenha sido objeto de homenagem ao Turquinho?

Mais tarde apareceu aquele cantor de voz muito potente [...] que fez uma justa homenagem a ele que nos abandonou: cantou, sambou e gritou o nome “Turquinho” varias vezes, saindo da roda chorando. Maria Luiza, que estava sentada do nosso lado (meu e Thaís) disse: “- Não posso ver ninguém chorando que choro também”. Eu pensei que ia chorar também, mas as coisas por lá passam muito rapidamente. Não dá para “dormir no ponto”, pois algo novo está sempre acontecendo, o que não deixa de ser bom... muito dinâmico!

Vou sentir saudade daquele som que o Turquinho fazia estalando a língua para marcar o compasso da musica; algo que só ele (e o pai das ‘Três Choronas’) sabia fazer. Sempre quis reproduzir esse som, mas nunca consegui... agora o professor morreu.

Apareceu a Silvilí, com a qual o Turquinho fazia dueto em músicas de dupla-cada-um-cantando-uma-melodia. Falei que ela tinha ficado sem parceiro. Ela chorou junto com o marido. Ela disse que o Turquinho era diabético. Ninguém sabia a idade dele. Ele tinha “sumido” ultimamente; e me lembro que a última vez que eu o vi, ele já devia não estar se sentindo bem, pois ficou muito pouco tempo por lá, e não sorriu. Até pensei que ele tivesse brigado com alguém; mas qual o que... era a morte se aproximando.

Foi um sábado triste, mas mesmo assim pode se dizer que o trágico sempre se mistura com o cômico. Ridículo é o João Sorriso tocar um bandolim totalmente desafinado. Afinado em outro tom que o resto dos músicos. Foi uma tortura chinesa. Ou seria uma tortura franciscana? O Vander, que tocava timba, levantou-se e cantou “Cigana” (Sylvio Caldas) e em seguida ‘os pés sujinhos de terra’ ('Por causa daquela cabocla', de Ary Barroso), que já se tornou um hino local.

Daí a ‘Clara Nunes’ da Contemporânea, que finalmente descobrimos o nome, com uma pequena ajuda da Maria Luiza... seu nome é Eurides Macedo (a cantora preferida da Thais), cantou “Linda flor" (Ai yoyô) considerado como o primeiro samba-canção da história, musica de Henrique Vogeler, letra de Luiz Peixoto-Marques Porto, gravada por Aracy Cortes em março 1929 como 'Yayá'; “Olhos verdes” (Vicente Paiva) de 1950 e “Canto das Três Raças”, que fez muito sucesso na hora do coro cantar ôôôôôô ! 

O Sansão (Orlando) aproveitou a deixa e lascou “Quem há de dizer” (Lupicinio Rodrigues-Alcides Gonçalves, gravada por Francisco Alves em 1948) e “Louco” (Ela é seu mundo) de Wilson Baptista-Henrique de Almeida, gravada por Aracy de Almeida em 1946 - que sempre agrada a galera. 

Maria Luiza levantou e deu seu recado com o samba “Portela na avenida” (Mauro Duarte-Paulo Cesar Pinheiro) gravada por Clara Nunes para o Carnaval de 1982, e uma “valsa-seresta”, “Uma grande dor não se esquece”, do acordeonista Antenógenes Silva, que a princípio nenhum dos músicos sabia, até a Luiza protestar: “- O João do Macacão sabe!”, como querendo dizendo: “- Siga o líder, seus burros!”. No fim deu tudo certo; até a percussão deu sinal de vida. Ah, a valsa-seresta é em Lá menor... a Luiza fez questão de me mostrar a anotação em seu ‘caderninho mágico’.

Os músicos tocaram “5 de Julho” (Donga) gravada em 1974 e outros choros até aparecer aquele cantor da Vai-Vai para cantar “Meu fraco é mulher” (Cyro Monteiro) e já emendou um “Malandro” (Jorge Aragão), que sempre faz sucesso, seja cantado por ele ou Maria. Ah, a Maria já tinha partido com seu companheiro para outras plagas. Ninguém foi ao enterro do Turquinho, o que eu achei meio peculiar. Afinal ele era um membro respeitado dessa comunidade... mas parece que o pessoal não quer perder uma “deixa”, quando se trata de “cantar”, “dar uma canja”... êta pessoal “fominha”. Deus-me-livre!

Ah, esqueci de dizer que a Eurides apresentou um samba “partido-alto” de um compositor que estava lá no momento e fez propaganda de seu CD. Parece que todo mundo lá já gravou seu CD. Eu e Thaís compramos o CD da Maria Luiza há duas semanas. Vale como ‘documento’, e vale também como ‘material de pesquisa’, já que é bom conhecer o repertório daqueles que viveram antes de nós. A Luiza é ótima cantora ao vivo, mas a gravação de seu CD foi bem amadorística não fazendo jus à sua arte que é infinitamente superior ‘au naturel’. Por falar na Luiza, ela tinha cantado dois sucessos da Isaurinha Garcia antes de eu chegar: “Aperto de mão” (Horondino Silva-Jayme Florence-Augusto Mesquita, gravação de novembro de 1942) e “De conversa em conversa” (Haroldo Barbosa-Lucio Alves, gravação de 1946, acompanhada pelos Namorados da Lua).

Acho que foi o principal que se passou hoje pela Contemporânea. Foi um dia atípico, sem dúvida, pois a presença ou a falta da presença do Turquinho foi que deu a tônica de tudo. Se eu fosse Espírita e acreditasse no “além da morte” eu diria que o Turquinho foi fazer serenata no céu [ou umbral] junto com o Adoniran e o pessoal dos Demônios da Garôa, que aliás, ele fez parte em uma das inúmeras formações do conjunto. Valeu Turquinho... nós continuamos a “segurar a peteca” por aqui até o nosso dia chegar. (written by Carlus Maximus).


1st March 2009 - 


Izzy Gordon no Sesc Vila Mariana - Sábado, 1o. Setembro 2007


Hoje ao invés de irmos ao Chorinho da Contemporânea, fomos ver a Izzy Gordon, filha da Denise Duran, cantar no Sesc da Vila Mariana. Show que começou exatamente as 13:30 horas. Me esqueci que os ônibus são escassos nos finais de semana e feriados, e fiz um esforço para não atrasar. Assim que cheguei, Izzy foi a primeira pessoa que vi de longe. Ela já estava se preparando para entrar em cena. Logo em seguida reconheci Thaís, Maria Matarazzo e Lela sentadas nos bancos dianteiros da praça-de-alimentação - ou seria aquilo um “espaço-para-shows”? Fui em direção a elas, mas antes de me sentar, virei-me para trás e deparei com um casal de meia-idade sentados nos bancos do fundo, e para minha surpresa, reconheci uma pessoa que não via há 33 anos. Antes que a reconhecesse ainda encarei a pessoa, pois o instinto foi mais forte; daí olhei para o acompanhante, que era o mesmo de 33 anos atrás, e me convenci de que aquele casal era o mesmo dos “anos de chumbo”.

Notei que ela também me olhou, mas não prosseguiu no intento, desviando o olhar, antes que eu fizesse o mesmo. Tenho certeza de que ela não me reconheceu. Eu a reconheci por causa do acompanhante. Não poderia ser outra pessoa. É interessante que eles ainda permaneçam juntos, pois em 1971, eles eram apenas namorados. Vê-se que se casaram, senão não estariam ainda juntos 35 anos depois. Senti um frio na barriga. Pensei em ir lá para falar com ela. Durante o show da Izzy eu pensei várias vezes em me virar para constatar se eles ainda estavam lá, mas fiquei receoso de ser reconhecido. Antes do final do show, que durou mais de 60 minutos, eu virei-me e notei que ele ainda estava no mesmo lugar, portanto ela também estaria. Porém, depois do primeiro 'bis' de Izzy, eles já tinham se retirado. Eu tive a esperança de que eles, talvez, fossem conhecidos da Izzy, ou que fossem fãs, e que iriam comprar o CD dela, ou parabenizá-la no final, mas tal não aconteceu. Eles foram embora sem eu perceber...

Izzy começou o show aos exatos 30 minutos depois das 13 horas, cantando 'Noite de paz', acompanhada apenas pelo piano eletrônico de Moisés Alves. Seguiu-se o samba 'O que é que eu faço?' bem sincopado e balançado. O terceiro número começava assim ... “A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer, briga com .... que não vai sofrer...”, 'Castigo', num tempo bem jazzístico.

Izzy disse que viu um programa de TV, o “Sr. Brasil” (do Rolando Boldrin) onde Chico Buarque foi perguntado qual música brasileira ele gostaria de ter escrito, e a resposta veio na forma de 'Se é por falta de adeus' (Dolores Duran-Tom Jobim); e Izzy a apresentou com maestria. Aliás, o poder vocal de Izzy é impressionante, atingindo alturas incríveis; ela sabe usar muito bem o diafragma e deve ter muito controle sobre ele. Até comentei com a Thais durante os primeiros números que era uma grande diferença ouvir Izzy, do que as “Cantoras da Contemporânea”.

'Olha o tempo passando', bonita melodia que Izzy aprendeu quando ainda era criança, com sua mãe, a Denise Duran, já que esta gravou-a no LP da Copacabana lançado em 1961, que ela dividiu com Marisa (Gata Mansa). Izzy disse que durante toda sua infância, sua mãe, ainda era traumatizada pela morte da irmã Dolores Duran, não gostava de ouvir gravações dela, pois sentia muita tristeza. Mas de alguma maneira 'Olha o tempo passando' foi a única que conseguiu “furar o bloqueio”.

'Banca do distinto', samba de Billy Blanco, que foi composto por ele seguindo a narrativa de algo que tinha acontecido com a Dolores em uma das boîtes que ela cantava no Rio de Janeiro. O night-club tinha um cliente que sempre sentava-se numa determinada mesa, pedia uma garrafa de whiskey escocês, e ficava ali apreciando as várias interpretações dela. As vezes, chamava o garçom de lado e falava: - "Fala para a mulata cantar tal musica!”. O garçom ia, pedia e Dolores atendia. Durante muito tempo isso se repetiu, e o tal do “distinto”, que poderia ser um juiz-de-direito ou algum “doutor”, nunca se dignou a se dirigir à cantora tão apreciada. Como o distinto era um ótimo freguês, às vezes, sobrava restos de sua refeição e ele pedia ao garçom que “embrulhasse para levar ao seu cachorro”. Só que ele se recusava determinantemente a carregar o embrulho. O garçom tinha que levar o embrulho até seu carro e voltar as suas funções depois. Dolores contou essa história a Billy, e o Blanco escreveu a 'Banca do distinto': “Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho, prá que tanta pose, doutor, prá que esse orgulho...” e a Izzy reviveu com muito balanço e verve esse samba antológico, que teve em Elza Soares sua melhor intérprete, embora a própria Elis o tenha gravado também.

'Funny Valentine' é um “evergreen” gravado por centenas de cantores, mas sua melhor gravação é, sem dúvida, aquela de Ella Fitzgerald. E foi inspirada na Ella, que Dolores gravou-a para a Copacabana, sendo um de seus últimos lançamentos antes da fatídica data de 24 Outubro 1959. Só que Izzy re-leu essa canção sob uma ótica toda sua, jazzificando-a e ‘scatting’ a melodia, tornando-a bem diferente. Com 'A noite do meu bem', o carro-chefe de Dolores, a música que pôs Dolores em todos os mapas da cultura nacional, e sua música mais gravada, tanto aqui como no exterior, Izzy adicionou uma pitada de jazz também.

Para o próximo numero Izzy chamou sua mãe, Denise Duran (conhecida entre os amigos como Lela, já que Dolores era Léia – Adiléia) e esta cantou e encantou com 'Pela rua', acompanhada somente ao piano de Moisés. 'Ah, você está vendo só do jeito que eu fiquei, e que tudo ficou...' é letra de 'Por causa de você', que o Frank Sinatra gravou com “Don’t ever go away” e Izzy, de certa maneira, jazzificou-a. O interessante é que a versão para o inglês, feita pelo famigerado (segundo o próprio Jobim) Ray Gilbert, ficou quase que uma tradução literal da letra original de Dolores. Não é irônico, que Sinatra, tendo sido ídolo de Dolores, acabou cantado e gravando uma composição sua depois de sua morte?

'Tome continha de você' ficou um samba moderno, bem balançado, que lembra um pouco o arranjo de “Upa, neguinho”; 'O negócio é amar', letra de Dolores, foi musicada post-mortem por Carlos Lyra. É bem agradável, pois a letra é espirituosa, com figuras como ‘amor-cachaça’, ‘amor-ciumento’ e ‘mulher que atura pancada’, tema inda bem relevante para os dias de hoje. Lyra caprichou na melodia. Um samba lento, samba Bossa-Nova?

'Ideias erradas' é uma musica ‘up-tempo’, ou um samba contido? Izzy aproveitou a oportunidade e apresentou seus três músicos: Moisés Alves, ao piano; Leandro Matsumoto, ao baixo de 6 cordas e o ótimo baterista Junior Vargas, que foram muito aplaudidos. 

Izzy seguiu com 'Summertime', de George Gershwin, que ela aprendeu com Dave Gordon, seu pai. A história que Izzy contou é que seu pai veio da Guiana Inglesa, passando pelos vários estados brasileiros do Norte e Nordeste, até chegar ao Rio de Janeiro-DF, a capital federal. Gordon foi, certa vez, a uma boîte onde Dolores Duran se apresentava. Quando ela soube da visita do “gringo”, sentou-se ao piano e acompanhou-o na linda “Hey, there” (you with your eyes in the stars) – Oi você aí, com os olhos perdido nas estrêlas...; foi assim que o Dave conheceu sua futura cunhada, mesmo antes de conhecer a futura esposa.

'Estrada do sol' foi a última canção da tarde, também jazzificada, com um solo de baixo elétrico que lembrou um pouco o estilo do George Benson... só faltou o ‘scat’ vocal. Daí Izzy chamou o Edu Negrão (seu marido) para fazer seu costumeiro 'rap' de final de show. O 'rap' de hoje foi engraçado, onde ele mistura um pouco de “mina-que-não-tem-dinheiro-prá-pagar-o-busão”, com propaganda do CD da Izzy ali no balcão do lado, e um protesto contra o “governo”, que suponho seja do Presidente Lula, o que provocou aplauso de uma plateia típica ‘”classe média”, que não tem nada a ver com “não-ter-dinheiro-pro-busão”. Enfim, são contradições da nossa sociedade atual, bem dividida em suas posições de classe.

Quando muitos já iam embora, o público pediu bis com tanto entusiasmo que Izzy e os músicos voltaram; Denise Duran foi convocada a subir ao palco novamente e as duas atacaram de 'O negócio é amar'. 

legendary singer Jamelão at Contemporânea Music Shop.
Isaías & his mandolin. 

a Saturday morning session at the back-room of Contemporânea, a musical shop on Rua General Osório. Turquinho plays the tambourine; Arnaldinho the mandolin. 
Dona Inah was a great lady who sang Cartola regularly at Contemporânea.
Maria Luiza on 3rd November 2016. She could be singing Adelino Moreira's 'Devolvi' or 'De conversa em conversa' popularized' by Isaura Garcia in the 1946. Maria, known for singing Ary Barroso's 1942 'Isto aqui, o que é?' manages to maintain a sign conversation with Silvili next to the door leading to the backyard. 

Saturday, 26 September 2020

Luely Figueiró, Denise Duran, Salomé Parísio & Roberto Luna in 2008

 
Luely Figueiró sings at a book launch on 13 June 2008, accompanied by Gabriel Gonzaga & his guitar.

Luely sang a few Lupicinio Rodrigues songs that night... 
Cristina Costa plays a tambourine, Sirley talks away with Denise Duran, Carlus Maximus (wearing a flanel shirt) listens carefully, Vander Loureiro watches the scene, Roberto Luna waits for his turn to perform, Arnaldinho do Cavaco surveys the musical accompaniment and Antonio Marmo records the whole show for posterity. 
Denise Duran's turn to sing... Raimundo José advises her about something...
Roberto Luna sings 'Castigo', his greatest hit, with a little help from his friends Luely, Denise, Raimundo José and Salomé Parísio. 
Roberto Luna, Salomé Parísio & Luely Figueiró having a little fun at the recital on 13 June 2008.
Luely, Gabriel, Salomé, Denise & a fan... 
photo op not to be missed next to Denise Duran & Luely Figueiró. 
Never a dull moment in between performances...
Nunca, nem que o mundo caia sobre mim / nem se Deus mandar, nem mesmo assim / as pazes contigo eu farei... 

Gabriel Gonzaga visits Denise Duran on Avenida Heitor Penteado on 8 December 2013. 

Denise Duran and her special guest Gabriel Gonzaga whose mission was to scan Denise's sister Dolores Duran's photograph collection. 
Denise sings 'Olha o tempo passando' accompanied by Gabriel's guitar. 
8 December 2013.
Denise Duran sings out of my own song-book being accompanied by Gabriel Gonzaga while Thais Matarazzo plays on makeshift maracas. Pateo do Collegio, 2008.

Tuesday, 28 July 2020

Wanderlea 1962 - 1963 - 1964 - 1965

Wanderlea in her prime.
'Revista do Radio' - n.734, 12 October 1963 - introduces Wanderlea to their readers as the Teenager from Minas who wants Celly Campello's crown & scepter.

Wanderlea Salim was born on 5 June 1945, in Governador Valadares-MG, northern Minas Gerais, but was raised in Lavras-MG, a southern MG city not too far from the State of  Rio de Janeiro. 

Wanderlea's mother & father Odete and Antonio Salim had a predilection for names starting with W so they had Wander, the eldest son, then came Wanderley, Wanderbele, Wanderlea, Wanderbil, Wanderte and Wanderlou not including the children who died in infancy. 

Wanderlea is 1.68 meters tall and weighs 56 kg; she has light brown hair and green eyes. Apart from being a professional singer Wanderlea loves foreign languages and is currently taking a course of English at IBEU (Instituto Brasil-Estados Unidos) and French at Maison de France.

Mr Antonio Salim who sold earth-moving tractors in Lavras-MG thought he'd do a much better businesse if he moved to Rio de Janeiro-DF, so that's what the Salim family did in 1955, when Wanderlea was 10 years old. They settled in a suburb at Ilha do Governador but Mr Salim also bought a farm at Km 15 of the Old Rio-Petropolis Road (built by President Washington Luiz in 1928) where the family spent a lot of time together.
Wanderlea who had always liked to sing along with the radio entered a talent-scout competition at TV Rio called 'the most beautiful youthful voice' in which she came up on top winning the right to record at Columbia Records. Mr Salim nixed it for he thought nice girls from good families didn't belong in the music business. After many attempts at trying to convince her father to change his mind she finally made it. She promised him she wouldn't give up school and Mr Salim went along with his daughter to Columbia's recording studio in June 1962, where she cut a 78 rpm single featuring 'Meu anjo da guarda' (Rossini Pinto-Fernando Costa) b/w 'Tell me how long', a spiritual written by Reverend Samuel Kelsey, accompanied by Astor & his combo.
'Meu anjo da guarda' had good air-play with Columbia releasing a second 78 rpm in November 1962, 'Ao nascer do sol' (Cuando calienta el sol) (Mario Rigual-Carlos Rigual;v.: Jota Morais), a ballad b/w 'Quero amar' (Castro Perret), a twist. Soon, Columbia released Wanderlea's first album which we review below: 
Wanderlea's 1st album released in May 1963, is a mixed-bag of good and bad recordings; 'Meu anjo da guarda' is a good track that had been released the year before. The other good tracks are the ones in which Wandeka is accompanied by the 4-instrument combo: drums, guitars, bass & saxophone and they are: 'Picada da pulguinha' (Gilberto Lima-Dora Lopes), 'Quero amar' and 'Estudante' (both by Castro Perret) are good uptempo records even though Wandeka still repeated Celly Campello's maneirisms too often. 'Meu maior desejo' (Rossini Pinto-Fernando Costa) is not bad but it's almost one-toned from beginning to end; the instrumental is pretty good though. I guess 'Birutinha' (Jorge Smera-Othon Russo) could be included among the good tracks. It's supposed to be sexy with words like 'taradinha', 'maluquinha' etc. 'Pescaria com twist' (Murillo Latini-Renan França) is not bad instrumentally but the words are dreadful.

Among the not-so-good tracks are: 'Não existe o amor' (Non esiste l'amore) (Vivarelli-Beretta;v.: Othon Russo) could be good but Mr Russo translated it from Italian abusing the second-person-singular which sounds stilted and old-fashioned; 'Quando setembro vier' (Come September) an instrumental baião written by Bobby Darin with added Portuguese lyrics by Titto Santos is atrocious. 'Goody goody' (Johnny Mercer-Malneck) so marvelously covered a few years back by Frankie Lymon is a complete failure; the pace is ridiculously slow, Wandeka's English is not what it should be; a mistake that should be erased. 'Dá-me felicidade' (Free me) based on Mexican singer Enrique Guzmán's cover 'Dame felicidad' (Breedlove) is bad. Rossini Pinto should have listened to Michele's  Italian 'Ridi', a much better cover. Wandeka tries to imitate Guzmán's 'hiccups' with no flair... she herself had a terrible 'hiccup' of her own that she has given up eventually (thank God). 'Meu coração canta' (My heart sings) (En ecoutant mon coeur chante) (Jean Marie Blanvillain-Henry Herpin; words in English by Harold Rome; words in Portuguese by Fred Jorge) is wrong from the start. Too high-pitched for poor Wanderlea. Fortunately, the album producer (probably Rossini Pinto) did not include 'Tell me how long' in it. It would have been the feather that broke the camel's back.
Wanderlea's 2nd album, "Quero você', released by CBS in 1964 was a completely different cup-of-tea: it had Renato & seus Blue Caps accompanying her which made a huge difference. Renato's boys were really proficient in their instruments as well as their vocal background giving the album an edge when compared with the 1st LP. Apart from Rossini Pinto's 'Sem amor ninguém vive' all the other 11 songs were covers of Anglo-American or European hits. So instead of following the new trend of recording Brazilian original material CBS reverted to Celly Campello's time when the 12 tracks of a rock album were covers. That old trend would ride the waves for the next few years.

'Meu bem lollipop' (My boy lollipop) was a cover of a song which Jamaican Millie Small had taken to #1 in the Brazilian charts which defeated the purpose of covering hits the general public hadn't heard yet ; 'Capela do amor' (Chapel of love) had been a #1 in the USA for 3 weeks on 6 June 1964 for girl-group Dixie Cups; 'Peço paz' (Just once more) came straight from Rita Pavone's album 'The International Teenage Sensation', an attempt by Pavone's manager to break into the US market but with no avail; 'Sem endereço' (Memphis, Tennessee) is a rock ever-green originally done by Chuck Berry in 1959; 'Longe de ti' is a cover of 'Away from you' of Liverpool's Gerry & the Pacemakers; 'Exército do surf' is a cover of 'L' esercito del surf', a Catherine Spaak Italian hit; 'Quero você' which is the title of the album is a cover of  'Prima di te, dopo di te', another Catherine Spaak Italian hit.
by mid-1965 Wanderlea was popular in the whole country; 'Intervalo', 22nd November 1965
'Intervalo', 22nd November 1965
a very young Wanderléa. 
Wanderléa & Leonardo Abrantes in 2008 at Auditório Ibirapuera

Wednesday, 8 July 2020

Bonfá, Jobim & João Gilberto in 72-73 Winter in New York

An interview with guitarrist and song-writer Luiz Bonfá in late 1972, when he lived between his Barra da Tijuca house and New York City. The main photo is with singer João Gilberto and pianist and song-writer Antonio Carlos Jobim walking in Central Park, Manhattan. 

Bonfá (*17 October 1922, in Rio de Janeiro-DF +12 January 2001) became famous when he was summoned by the US producer of Marcel Camus' film 'Black Orpheus' to add two songs to the original Vinícius de Moraes-Antonio Carlos Jobim sound-track. So Bonfá sat down with Antonio Maria and came up with 'Manhã de carnaval' which became really popular and was recorded by everyone and his dog. 

Bonfá talks mostly about his music business in the U.S.; his being interviewed by Johnny Carson at the high-rating 'Tonight show'; his latest oeuvre 'Gentle rain'; his taking part at Caterina Valente's TV show  'Caterina & her friends' in Switzerland; his guest appearance at Julie Andrews Show and oddly enough his being invited to play guitar at Haiti's presidential palace by the dreadful dictator Baby Doc. Political correctness was nowhere to be seen in 1972.





Luiz Bonfá ten years earlier: 1962.

João Gilberto, an architect of Bossa Nova, is dead at 88

By Ben Ratliff
July 6, 2019

João Gilberto, one of the primary creators of bossa nova, the intimate Brazilian music that became a major cultural export, has died. He was 88.

His son, João Marcelo Gilberto, confirmed the death on Facebook, although he did not say where or when Mr. Gilberto died.

Starting with his 1958 single “Chega de Saudade,” Mr. Gilberto, in his late 20s, became the quintessential transmitter of the harmonically and rhythmically complex, lyrically nuanced songs of bossa nova (slang for “new thing” or “new style”), written by Antônio Carlos Jobim, João Donato, Vinicius de Moraes and others.

In the music he recorded from 1958 to 1961 — appearing on the albums “Chega de Saudade,” “O amor, o sorriso e a flor” and “Joao Gilberto” — Mr. Gilberto took strains of Brazilian samba and American pop and jazz and reconfigured them for a new class of young Brazilian city-dwellers, helping to turn bossa nova into a global symbol of a young and confident Brazil.

The music gained particular popularity in the United States, spawning pop hits and even a dance craze. It brought Mr. Gilberto to Carnegie Hall and led to a Grammy Award, given to him and the jazz saxophonist Stan Getz, for a collaborative effort that was named album of the year for 1964 and that produced an enormous hit, “The Girl From Ipanema.”

Mr. Gilberto’s new synthesis replaced samba percussion with guitar-picking figures in offbeat patterns (called by some “violão gago,” or “stammering guitar”). It also conveyed interiority through a singing style that was confiding, subtly percussive and without vibrato.

“When I sing, I think of a clear, open space, and I’m going to play sound in it,” Mr. Gilberto said in an interview with the New York Times jazz critic John S. Wilson in 1968. “It is as if I’m writing on a blank piece of paper. It has to be very quiet for me to produce the sounds I’m thinking of.”

Mr. Gilberto was not much of a songwriter: He was both “less and more than a composer,” as the Brazilian singer and songwriter Caetano Veloso, an admirer, once put it. He was reclusive, rarely forthcoming with the news media and his audiences, and sometimes truculent onstage if his demands about sound were not met.

But his work became a sign of the relative prosperity, optimism and romance of Brazil during the period of Juscelino Kubitschek’s presidency in the late 1950s, and thereafter an ideal of musical restraint and mystery.

João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira was born on 10 June 1931, in Juazeiro-BA, in the northeastern Brazilian state of Bahia, the son of a local businessman and amateur musician, Juveniano de Oliveira, and the youngest of seven children born to Dona Patu, Mr. Oliveira’s second wife.

He was sent to boarding school in Aracaju-SE, east of Juazeiro on the Atlantic coast, when he was 11, but left at 15 to play music, serenading locals under a tamarind tree in Juazeiro’s town square.

In his early years Mr. Gilberto had a strong, romantic voice, in the popular samba-canção crooning style. He left his hometown for Salvador, Bahia’s capital, in 1949, and a year later - 1948 -  he was called to Rio de Janeiro by Alvinho Senna, guitarist for a young vocal quintet, Os Garotos da Lua (the Boys of the Moon), which had a regular performing slot on Rio’s Radio Tupi.

Mr. Gilberto was with Os Garotos only briefly, leaving the group in 1951. The next year, recording under his own name with a string section, no harmony vocalist and no guitar, he made a 78 rpm single of rather mannered and old-fashioned samba-cançãos. It would be six years before he recorded again.

In the intervening period, he worked sporadically around Rio — accompanying the singer Mariza, recording commercial jingles, taking jobs in a few long-running nightclub revues. According to Ruy Castro’s “Chega de Saudade” (1990), a colorful history of the bossa nova movement, he also became a strange and marginal figure around town.

When he started refusing to work at clubs where he felt the customers talked too much, he entered a period of poverty, growing his hair long and wearing wrinkled clothes. Then a friend, the singer Luís Telles, brought him to the coast town of Porto Alegre and put him up at a respectable hotel; performing at a local nightclub, Mr. Gilberto gained a following.

A sound takes shape

After about seven months Mr. Gilberto moved to Diamantina-MG, a city in the mountainous state of Minas Gerais, where his older sister Dadainha lived. This was where he found his sweet spot of artistic isolation, cloistering himself in his sister’s house — specifically, in her bathroom.

It was there, Mr. Castro wrote, that Mr. Gilberto’s sound took shape. The acoustics were reverberant enough for him to practice a whispery, nasal style of singing, audible over the guitar. As much as he liked self-assured performers, his own sound seemed to shrink from the light; it was an inversion of the popular bolero-like style that had dominated Brazilian popular music since the 1930s.

In a 1971 interview with the journalist Tárik de Souza, Mr. Gilberto cited Dorival Caymmi’s 1955 song “Rosa Morena” as one inspiration during this formative period. “I felt that the way other singers prolonged the sounds ended up hurting the natural balance of the music,” he said. “By shortening the sounds of the phrases, the lyrics fit perfectly within the beats and ended up floating.”

After a short and unhappy detour to Bahia — he spent a week being examined at a mental asylum in the capital city, Salvador — Mr. Gilberto returned to Rio in 1957, and his fortunes changed. He was introduced to Antônio Carlos Jobim, who was working as a staff arranger for EMI's Odeon Records; Jobim heard Mr. Gilberto’s guitar rhythm and had ideas on how it could be applied to his unfinished song “Chega de Saudade.”

That song — which displayed a casual disdain for the favorite Brazilian emotion of “saudade,” or longing — was first recorded in May 1958 by Elizete Cardoso, with Mr. Gilberto on guitar. This was the first great example of bossa nova guitar style: syncopated, swinging, rendered in changeable patterns.

“He imitated a whole samba ensemble,” the guitarist Oscar Castro-Neves told Chris McGowan and Ricardo Pessanha, the authors of the 1998 book “The Brazilian Sound,” “with his thumb doing the bass drum, and his fingers doing the tamborims and ganzás and agogôs” — the tambourine, metal shaker and bell of a percussion group. The song was recorded again that same year by the vocal group Os Cariocas, again with Mr. Gilberto on guitar.

Finally, in July 1958, Mr. Gilberto recorded his own version of “Chega de Saudade,” with arrangements by Jobim, in a contentious session at which he insisted — unusual at the time — on separate microphones for his guitar and his vocals. That single, with an entirely different affect from his romantic style of six years earlier, has often been cited as a turning point in Brazilian culture.

The singer Gal Costa, 12 years old when that record came out, later said that “it changed my life, and not only my life but the lives of everyone in my generation.” In his book “Tropical Truth” (2003), Mr. Veloso called it “the manifesto and the masterpiece of a movement: the mother ship.”

Bossa nova was featured in the soundtrack of the 1959 French-Brazilian film “Orfeu Negro” (“Black Orpheus”), which won the Academy Award for best foreign-language film, and soon American musicians were investigating and emulating its sound. The album “Jazz Samba,” by Stan Getz and the guitarist Charlie Byrd, was strongly influenced by Mr. Gilberto’s recordings; released in the spring of 1962, it reached No. 1 on the Billboard album chart. That November, Mr. Gilberto traveled to New York for the first time for an appearance at Carnegie Hall as part of a bossa nova package concert.

At the same time, in pop songs like Eydie Gormé’s “Blame It on the Bossa Nova,” bossa nova meant something different: exotic and slightly upmarket, with a newly American-made dance to go along with it. By the end of 1963, the ethnomusicologist Kariann Goldschmitt wrote, the phrase had been used to advertise “cashmere sweaters, throw rugs, ice cream and new haircuts.”

A hit with ‘Ipanema’

With Astrud (Weinert) Gilberto, whom he had married in 1959, Mr. Gilberto took up residence in the United States in 1963. That year he collaborated with Getz on the album “Getz/Gilberto,” which included the Jobim-de Moraes song “Garota da Ipanema,” sung by both Astrud (in English) and João (in Portuguese); released as “The Girl From Ipanema,” the song won the 1964 Grammy for record of the year and “Getz/Gilberto” was named album of the year.

After divorcing Astrud and, in 1965, marrying another singer, Heloísa Buarque de Holanda — known in her own career as Miúcha — Mr. Gilberto moved to Weehawken, N.J., and then to Brooklyn. 

In 1970 the couple relocated to Mexico, where during a two-year stay he recorded the album “João Gilberto en Mexico.” He then returned to the United States, where he stayed until returning to Brazil in 1980. (Mr. Gilberto and Miúcha separated in the mid-1970s.)

In the years away from Brazil, Mr. Gilberto widened his repertoire to accommodate a few of the great Brazilian songwriters who succeeded him as well as sambas and even boleros from before the bossa nova period. His best work included the minimal, transfixing “João Gilberto” (often referred to as the “white album”) in 1973 and the strings-drenched “Amoroso” in 1977. By the 1980s, many of his recordings were of solo live performances. For a major figure, he produced relatively little: fewer than 10 studio albums under his own name in about 60 years of professional work.

Mr. Gilberto was championed by the generation of Brazilian songwriters that followed him, including Mr. Veloso, Moraes Moreira and Gilberto Gil. His final studio album was “João Voz e Violão” (2000), produced by Mr. Veloso. A few seconds more than half an hour long, it was a mixture of his own old repertoire and songs by Mr. Veloso and Mr. Gil, ending with another version of “Chega de Saudade.”

Mr. Gilberto lived an extremely private life in Rio de Janeiro, which fascinated the Brazilian news media. In 2004 he had a daughter, Luisa Carolina, with his manager, Cláudia Faissol.
According to The Associated Press, his survivors include Luisa; his son, from his marriage to Astrud Gilberto; and another daughter, Bebel Gilberto, a popular singer, from his marriage to Miúcha.

In 1997 Mr. Gilberto sued EMI, the licenser of his first three albums, because he felt his early music had been poorly remastered on a 1992 CD reissue; he maintained that the unauthorized remastering of the original tapes violated his rights. The albums in question were taken off the market, and in a 2015 ruling, Brazil’s Superior Court of Justice ruled in favour of Mr. Gilberto.

Through his music, Mr. Gilberto radiated a simplicity that could seem like inscrutability. He liked sentimental songs but did not give audiences emotional cues. He told Mr. Wilson of The Times that he believed that singers’ feelings should not work their way into their songs.

“Maybe I would like to go back to when I was a boy,” he said. “After that I learned too many things, and they came out in my music. So now I refine and refine until I can get back to the simple truth.”

A version of this article appears in print on July 8, 2019, on Page D11 of the New York edition with the headline: João Gilberto, 88, Architect of Bossa Nova who won Grammy Award, dies.


Revista do Radio, 14 May 1960. 

Norman Gimbel, Grammy and Oscar-winning lyricist, dies at 91

Charles Fox Archives

Norman Gimbel and Charles Fox with their Grammy Awards for best song, “Killing Me Softly,” in 1973. “Norman had the extraordinary ability with his lyrics to capture the human condition with never an excessive word to describe a feeling or an action,” Mr. Fox said.

By Anita Gates
1st January  2019

Norman Gimbel, the wildly versatile Brooklyn-born lyricist who won a Grammy Award for a blues hit, “Killing Me Softly With His Song”; an Oscar for a folk ballad, “It Goes Like It Goes” (from “Norma Rae”); and television immortality for bouncy series themes, including the ones for the sitcoms “Happy Days” and “Laverne and Shirley,” died on 19 December 2018, at his home in Montecito, Calif., near Santa Barbara. He was 91.

The death was confirmed by his son Tony, managing partner of his father’s music publishing company, Words West.

Any attempt to categorize the elder Mr. Gimbel’s musical leanings would be complicated. 

He wrote English lyrics for Michel Legrand’s music from Jacques Demy’s romantic 1964 French film “The Umbrellas of Cherbourg,” most notably “I Will Wait for You” (“Till you’re here beside me, till I’m touching you”) and for what became “I Will Follow Him,” a solid hit about teenage adoration sung by Little Peggy March (age 15) in 1963.

He was famous for the English lyrics of “The Girl From Ipanema,” the 1964 bossa nova hit originally written in Portuguese. 

Among his early hits, “Sway” (“When marimba rhythms start to play”) was clearly Latin-accented, even when Dean Martin sang it, and “Canadian Sunset,” recorded by Andy Williams, became a jazz standard. 

“Ready to Take a Chance Again” (from “Foul Play,” 1978), which earned an Oscar nomination, was a wistfully hopeful love song. 

Jim Croce’s 1973 hit “I Got a Name” (“Movin’ me down the highway, rollin’ down the highway, movin’ ahead so life won’t pass me by”) was quintessential folk rock.

Mr. Gimbel worked with David Shire on “Norma Rae,” but his most frequent collaborator may have been Charles Fox.

“Killing Me Softly,” which brought Mr. Gimbel and Mr. Fox the song-of-the-year Grammy after Roberta Flack released the song in 1973, had a conflict-ridden back story. Lori Lieberman, a California bistro singer, had recorded the song first (Mr. Fox and Mr. Gimbel were her producers and managers) and she said that the lyrics (among them, “I felt he found my letters and read each one out loud”) had been based on a poem she had written about attending an emotionally stirring Don McLean concert.

The song, which became a hit again with the Fugees’ hip-hop cover in the 1990s, is now sometimes listed as written “in collaboration with” Ms. Lieberman.

Norman Gimbel was born in Brooklyn on 6 November 1927. His parents — Morris Gimbel, who was in the restaurant business, and Lottie (Nass) Gimbel — were Jewish immigrants from Austria.

Norman, who studied English at Baruch College and Columbia University, began his career working for the music publisher David Blum and for Edwin H. Morris and Company.

His first hit was “Ricochet,” written with Larry Coleman and Joe Darion and recorded by Teresa Brewer in 1953. The saucy, country-tinged pop song (“If you’re careless with your kisses, find another turtle dove”) rose to No. 2 on the charts.

Mr. Gimbel soon moved to Los Angeles, where he worked more widely in television and film. In addition to his work on the “Laverne and Shirley” (“Schlemiel, schlimazle, Hassenpfeffer Incorporated”) and “Happy Days” (“Sunday, Monday, happy days”) themes, he wrote themes for the 1970s series “Wonder Woman” and “The Paper Chase.”

He was inducted into the Songwriters Hall of Fame in 1984.

Back in New York, he wrote lyrics for two Broadway musicals, “Whoop-Up” (1958) and “The Conquering Hero” (1967), working with the composer Moose Charlap. The first show, set on an American Indian reservation, earned two Tony nominations, and the second, starring Tom Poston as a fake war hero, had a book by Larry Gelbart. Despite some positive reviews, both musicals flopped at the box office and closed early.

Both of Mr. Gimbel’s marriages, to the fashion model Elinor Rowley and to Victoria Carver, a lawyer, ended in divorce. In addition to his son Tony, survivors include another son, Peter; two daughters, Nelly Gimbel and Hannah Gimbel Dal Pozzo; and four grandchildren.

Mr. Gimbel gave relatively few interviews. In a six-minute segment as a contestant (alongside Burt Bacharach and Jerry Leiber) on “Play Your Hunch,” an early Merv Griffin game show, he spoke only three words.

That verbal reticence, though, served him well professionally. “Norman had the extraordinary ability with his lyrics to capture the human condition with never an excessive word to describe a feeling or an action,” Mr. Fox, the composer, said in a statement after his writing partner’s death.

He went on to praise Mr. Gimbel’s ability to conjure an entire song with its first line, and he offered examples: “Tall and tan and young and lovely.” “Strumming my pain with his fingers.” “If it takes forever, I will wait for you.”

A version of this article appears in print on Jan. 2, 2019, on Page B10 of the New York edition with the headline: Norman Gimbel, 91, Who Thrilled Softly With His Songs.