Friday, 25 July 2014

CLOVIS CANDAL 1963

One could say Clovis Candal was a one-hit wonder after he took 'Confissão' (Confesión) to #1 in the charts in early 1963... but he lasted a while longer. Clovis recorded a whole album for Copacabana Records entitled 'Quem depois de mim' 


Clovis Candal nasceu em 6 Agosto 1940, em Guaporé-RS. Sua intenção era seguir a carreira militar, mas cantava em conjuntos de bailes desde os 16 anos. Na época de sair sua promoção de 3o. sargento, seu conjunto fez excursão com o cantor Gregório Barrios, que o convenceu a ser cantor profissional. 

Rumou para São Paulo e acabou assinando contrato com a Copacabana Discos. Genival Melo, seu produtor, descobriu 'Confesión' num 78 rpm mexicano, numa casa de discos, fez a versão e Clovis gravou em Setembro de 1962. O sucesso de 'Confissão' foi fenomenal. Naquele tempo as pessoas tinham muito sentimento de culpa, e a igreja católica usava o método de 'confissão anônima' com certo exito. 

Nos primeiros meses de 1963 a Copacabana lançou 'Quem depois de mim?' um LP inteiro com Clovis Candal interpretando vários sucessos. Mas os tempos estavam mudando rapidamente. O samba-canção e o bolero seriam destronados ainda em 1963, vivendo apenas em nichos segregados das gravadoras mais ricas - EMI-Odeon com Altemar Dutra, a CBS com Carlos Alberto e a Copacabana com Agnaldo Rayol, que também diversificou com rock-baladas.

Clovis procurou outras paragens e chegou a cantar na Argentina, Uruguay e Portugal.

Confissão (Confesión)

Padre, venho confessar-me
eu sou casado, vivo amargurado
pois não sou feliz

Estou apaixonado por outra que não sabe
que o meu carinho não pertence a ela
pela Lei de Deus.

Padre, casei-me em tua igreja
separação p'ra mim não tem valor
porque eu creio em Deus

A ela eu pertenço, porém eu não a quero
por este meu pecado eu serei castigado
dai-me o teu perdão.

Perdão p'ra nós dois.

original de Joaquin Oliver
versão de Genival Melo.

comentários sobre 'Confissão'

Até o advento do Concílio Vaticano II em 1963, o confessionário era um recinto muito concorrido dentro das igrejas católicas, pois o fiel só poderia comunga (receber a Hóstia Sant) se antes confessasse seus pecados diretamente ao Padre. A figura do Padre era, portanto, muito importante e temerária, pois sabia-se la, o que ele daria como penitência, isso, além de haver muitos abusos sexuais praticados por vários religiosos em seus 'cantinhos escuros'.

A gente se ajoelhava na lateral do confessionário, o padre, já dentro do tal cubículo, abria uma janelinha -tudo meio escuro, a gente não via direito a cara do padre, mas sentia bem sua voz e, as vezes, até seu hálito. Ali começava a 'tortura' do 'recitar os pecados da semana'.

Com a intervenção do iluminado Papa João XXIII, o Confessionário foi colocado em segundo plano, já que a partir do Concílio, podia-se comungar fazendo-se apenas uma Auto-Confissão. O Confessionário perdeu, assim, sua importância, e os abusos, também, diminuíram. Mas até 1963, muito drama rolou dentro (e fora) dessas 'casinhas' sinistras, que eram os famigerados Confessionários, herança maldita da Inquisição.

Torturas confessionais 

A música latino-americana, incluindo a brasileira, sempre teve uma relação de amor-ódio com o Confessionário. A quantidade de músicas onde a palavra 'confissão' aparece é imensa. Além dessa obra-prima de Joaquin Oliver, temos 'Perdão para dois' em 1960 - do grande Palmeira e Alfredo Corleto, onde Leila Silva (e Cauby Peixoto) confessam-se diretamente à Virgem Maria. O problema é sempre uma paixão por alguém já casado, também conhecido como adultério.

Em 'A noiva' (La novia), de Joaquin Prieto, cantada por Angela Maria em 1962, a dita noiva está casando-se com quem ela não ama; ou seja, ela já está pecando por tabela.

'Nôno Mandamento', para aqueles que decoraram bem seus Catecismos, é: 'Não cobiçar a mulher do próximo', mas também era o título de um sucesso de Cauby Peixoto, onde ele se apaixonava por uma mulher casada e pedia perdão para 'esse amor que foi cego, por essa cruz que carrego dia e noite, noite e dia'. Como se vê, o drama era exagerado ao máximo, e o povo comprava os discos aos milhares.

Em 'Ciclone', gravada por Carlos Nobre em 1959, ele diz: 'Eu bebi champagne em seu noivado, traguei a mágoa no fundo, sem rancor. Fui o primeiro a chegar a igreja e amargurado, vi o orgulho matar dois sonhos de amor'. Ou seja, a moça casou-se por despeito, e ele, num paroxismo de masoquista, além de comparecer ao noivado dela, bebeu champagne e, no dia do casamento, foi o primeiro a chegar à igreja, para ter certeza de que o sofrimento seria magnificado. Freud, provavelmente, explicaria tal comportamento bizarro.

Em 1964, Oslain Galvão emplacou 'O divórcio', de Pepe Ávila, onde ele dizia: 'Tu podes ir onde quiseres, com quem quiseres, tu podes ir, mas o Divórcio, por ser pecado eu não te dou.' Isso, na verdade, era chover no molhado, já que divórcio era inexistente no Brasil, embora existisse no Uruguay, Bolivia e Mexico. O Brasil estava bem atrasado em relação aos outros hermanos latino-americanos.

from left to right: Marco Aurelio, non-identified singer, Silvana, Wanderley Cardoso & Clovis Candal circa 1965.

Clovis Candal's 78 rpm singles for Copacabana

Confissão (Confesión) / Sem querer (Sin querer) - 1962
Coração biruta / Palhaço - 1962
Hora final / Desde aquela noite - 1963
O pecador / Quem depois de mim? - 1963
Marcha da pipoca / Chegou a hora - 1963 for Carnaval 1964
Roberta / Sem ti - 1964 



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