Friday, 19 July 2013

AGNALDO RAYOL 1967


Agnaldo Rayol is not your average singer. He's got a place in Brazilian music all his own. He was born on 3 May 1938, in Niteroi-RJ and won a talent-contest at a local radio station when he was still a boy of  9. At 10 he appeared in appeared in a major movie. 

Agnaldo made a smooth passage from teenage to adulthood. No one even noticed Agnaldo had grown up. Agnaldo had a powerful tenor voice that would have people spellbound. 

On top of that Agnaldo was extremely good looking. He recorded for Copacabana Discos most of his career starting up in 1958 with the right foot - an album filled with first-class songs. 

Then, Rayol gradually went astray recording boleros, guaranias, sambas-canções and  covers of Mexican hits of doubtful quality. That could have spelt the end of his career but it didn't. When everything pointed to his dwindling away Agnaldo signed with TV Record - in late 1967 -  to command a variety show on Friday nights.

He was on top of the world with a show at TV Record, a station that catered to all music tastes: 'O Fino da Bossa' with Elis Regina for Bossa Nova fans; 'Jovem Guarda' with Roberto Carlos for teen-age rock fans; 'Bossaudade' with Elizeth Cardoso for the 'old guard', those people who were 40 or older and... 

On Friday nights there was Agnaldo's 'Côrte Rayol Show' - which he shared with comedian Renato Côrte Real - and catered for those people who didn't fit in any of the previous tribes; the in-between-people who enjoyed 'easy-listening' tunes and a bit of light comedy. 

Even though Rayol's programme was panned by the critics it became the most popular in the Nation's top TV station. 




CÔRTE RAYOL SHOW - 1967
Copacabana Discos - CLP 11489

A.

1. 'Ma vie' (Alain Barrière) starts the album;
Renato Côrte Real speaks to the audience
2. 'Non pensare a me' (E.Sclorilli-A.Testa) it won Festival di San Remo 1967.
3. 'Chorando de saudades' (Donaldson Gonçalves-Renato Corrêa) Reynaldo Rayol
4. 'Chão de estrêlas' (Sylvio Caldas-Orestes Barbosa)
5. 'Five hundred miles' (Hedy West) Agnaldo Rayol & Renato Côrte Real
6. 'Noir c'est noir' (Black is black) (Michelle Grainger-Tony Hayes-Steve Wadey; adaptation française Georges Poubennec) Agnaldo Rayol & The Jordans
7. 'Meu coração é seu' (With a song in my hear) (L.Hart-R. Rodgers)

B.

1 Pot-pourri:
'Ternura' (Somehow it got to be tomorrow today) (B.Levitt-K.Warren; v.: Rossini Pinto)
'Se non avessi più te' (Zambrini-Enriquez-Migliacci)
'Dá-me' (Adylson Godoy)
'A tua voz' (Plus je t’entends) (A.Barrière; v.: Agnaldo Rayol)

2.  Diálogo humorístico - Ronald Golias (stand up comedy)
3. 'A voz do violão' (Horácio Campos-Francisco Alves)
4. 'O dia que me queiras' (El dia que me quieras) (Carlos Gardel-Alfredo Le Pera) Agnaldo Rayol & Hebe Camargo
5. 'Somewhere' (from 'West Side Story) (Leonard Bernstein-Steve Sondheim)
6. Agradecimento e encerramento com Agnaldo Rayol - he thanks the audience
7. 'O princípio e o fim' (Ma vie) (A.Barrière; v.: Nazareno de Brito)

Reviewing this album is such a delight because it's like as if one had taken a time-machine flight and alighted in the midst of the year 1967 in Brazil. 1966 had been a good year for French pop in Brazil. Alain Barrière went to #1 with 'Ma vie' which Agnaldo recorded a translation called 'O principio e o fim' (The beginning and the end) that went high in the charts too. Agnaldo also recorded Barrière 'Plus je t'entends' translated as 'A tua voz' plus 'Noir c'est noir' sung by him in French, based on the Johnny Hallyday's version of Los Bravos' 'Black is black', accompanied here by rock band The Jordans.

Agnaldo who won a talent contest when he was 10 years old singing an Italian tune belts out 'Non pensare a me' which had won San Remo Festival ealier in 1967, by old timer Claudio Villa amidst the protest by Luigi Tenco against the Festival's corrupt structure - Tenco killed himself in his hotel room as a protest act against the Italian music establishment! Agnaldo wasn't a very well informed man. If he were he would have sung Don Backy 'L'immensità' or Umberto Bindi's 'La musica è finita' which were much better songs. 'Non pensare a me ' is a common song and due to the tragic circumstances of its notoriety should have been avoided by anyone. But Agnaldo was not well informed otherwise he would not have recorded a whole album dedicated to Marshall Costa e Silva the military President imposed by the Dictatorship that ruled Brazil since April 1964.

Agnaldo could not only sing in Italian as Gianni Morandi's 'Se non avessi più te' was the second track in that language (and French) but in English too: check his rendition of 'West Side Story's classic 'Somewhere' and 'Five hundred miles' which he sings with Renato Côrte Real his partner in crime. Talking about partners, Agnaldo sings Carlos Gardel's classic 'O dia que me queiras' (El dia que me quieras) in a duo with his long-time friend Hebe Carmargo. Actually, it was singing with Hebe in her talk-show started in April 1965, that gave TV Record's producers the idea of signing him for a show of his own.

Agnaldo never forgot the 'Old Guard', those people who were famous in the 1930s and 1940s so he sings Sylvio Caldas' 'Chão de estrêlas' and Francisco Alves' 'A voz do violão'. And maybe just to offset this nostalgic look in the past he sings Adylson Godoy's modern 'Dá-me'. Besides Adylson being one of the show's music-director he was Zimbo Trio's pianist Amilton Godoy's brother.

Finally, Agnaldo also pays tribute to 'Jovem Guarda' (Young Guard) with 'Ternura' (Somehow it got to be tomorrow today) Wanderléa's greatest hit. We have left out 'Meu coração é seu' (With a song in my heart) a 1929 Broadway tune by Rodgers & that Agnaldo must have remembered from his early-teenage in 1952, when the movie 'With a song in my heart' with Susan Hayward was very popular. There you are, an album that tells the story of the singer's life.


CÔRTE-RAYOL SHOW 


Em 1965, depois de ter tido sucesso com 'O Fino da Bossa' e 'Jovem Guarda', a TV Record decidiu criar um outro programa, a princípio para ser apresentado por Agnaldo Rayol, Ângela Maria e um humorista. Gravado pela 1a. vez em 9 Novembro 1965, acabou sendo comandado por Agnaldo Rayol e o comediante Renato Côrte Real, que assim abandonava a série 'Papai sabe nada'. No formato do musical-humorístico, Agnaldo e Renato fingiam ser rivais, desafiando-se frequentemente em diálogos e situações semelhantes às vividas por Dean Martin e Jerry Lewis no cinema dos anos 40 e 50, um servindo de escada para o outro. (trecho do livro 'A era dos festivais' de Zuza Homem de Mello).

Gravado ao vivo no auditório da TV Record em São Paulo, com Agnaldo Rayol, Renato Côrte-Real, Reynaldo Rayol, Ronald Golias, Hebe Camargo, The Jordans. 

O programa 'Côrte-Rayol Show' é bem o representante da nova fase da TV brasileira, iniciada há 2 anos, e que daria à TV Record, Canal 7, a liderança nacional. A amplitude total, a vasta dimensão desta nova fase, evidentemente não poderia ser representadas num único disco de um único programa. Para que tivèssemos uma mostragem razoàvel de 2 anos a esta parte, seria preciso que focalizàssemos outros programas, como 'Show em Si...monal', 'Jovem Guarda', 'Ronnie Von', o desaparecido mas lembrado, 'P'ra ver a banda passar' e o atualíssimo 'Esta noite se improvisa' (começado em Abril 1967). Estes programas, indiscutìvelmente representam o vigôr da televisão brasileira em termos musicais. Mas se discos não poderão ser feitos retratando este período que vivemos, tenho certeza que ainda se escreverá uma história da televisão brasileira, e aí então, ficará contado quem deu asas aos musicais brasileiros. 

Sobre este disco pouco ha a dizer, porque já se disse quase tudo sobre Agnaldo Rayol. Não vamos nos deter sobre Renato Côrte Real, Ronald Golias, Luiz Loy, Caçulinha, Cyro Pereira e outros que aqui aparecem, pois esse disco pertence mesmo a Agnaldo. À voz de Agnaldo Rayol, à sua versatilidade, à sua irradiante simpatia, e à sua quase inocência diante de seu grande prestígio, é dedicado esse disco. 

Manoel Carlos (produtor do 'Côrte-Rayol Show' - Junho 1967


Agnaldo was hot property circa 1967. He had a top-notch TV show that probably paid for his Merceds.

Agnaldo Rayol provoca tumulto no centro de São Paulo em Março de 1967



a rua Barão de Itapetininga tornou-se campo de uma batalha vespertina...

E a loucura continua...

Ontem à tarde, o pretexto para a continuação da loucura que parece aos poucos apossar-se da população foi o cantor Agnaldo Rayol. Como faz habitualmente, há 4 anos, foi ele ao seu alfaiate Minelli, na rua Barão de Itapetininga, motivando um corre-corre, com tentativas de depredação de carros e agressão ao cantor e motoristas.

Por mais de 2 horas o trecho daquela rua entre a Dom José de Barros e a Conselheiro Crispiniano ficou totalmente tomado por uma massa humana - velhos, moços e moças - agitada e descontrolada. Um pequeno grupo se acercou de Agnaldo Rayol, como acontece habitualmente, para pedir autógrafos. Mas quando ele entrou no predio de seu alfaiate, o grupo foi se transformando numa multidão, que passou a lhe dirigir insultos.

Saída estratégica

O proprietário das Lojas Minelli, sr. Rafael Minelli, percebeu a gravidade da situação imediatamente - as portas de sua loja começaram a ser forçadas pelos populares - e providenciou a saída de Agnaldo Rayol e Rodolfo Mayer, que também ali se encontrava, para a rua 24 de Maio, através da Galeria Itá. Isso por volta das 17 horas.

Enquanto isso ocorria, a multidão na rua aumentava e o pessoal dos escritórios situados nos prédios da Barão de Itapetininga começavam a jogar sacos de plásticos com água, aumentando ainda mais a confusão e os protestos. Temerosos de que houvesse depredações, praticamente todos os comerciantes daquele trecho cerraram as portas de seus estabelecimentos, enquanto a policia era chamada.

Descontrole total

Nessa altura, enquanto a polícia não chegava - segundo o sr. Rafael Minelli, demorou uma hora e, segundo um investigador, 20 minutos - a multidão já havia perdido totalmente o controle. Os carros dos motoristas que saiam do bolsão eram suspensos, para evitar que prosseguissem, enquanto seus ocupantes recebiam insultos - gratuitos, porque a maioria nem mesmo sabia o que estava ocorrendo.

Um motorista quase foi agredido fisicamente pelos populares e só não se consumou um caso de linchamento porque um investigador de polícia que ali se encontrava acidentalmente conseguiu proteger o assustado cidadão. E continuavam a cair sacos de plásticos cheios de água de cima dos prédios. Na tentativa de despejar um balde de água na rua, um indivíduo do 4o. andar de um dos prédios deixou cair balde e água em cima de um carro Aero Willys ali estacionado, que ficou com o 'capô' todo amassado.

Enfim, a polícia

Quando começaram a chegar as viaturas de Radio-Patrulha - ao todo chegaram 7, com 21 guardas-civis - a histeria coletiva tinha chegado ao auge: os populares já subiam em cima dos carros.

Andando com suas viaturas em zigue-zague pela rua, os policiais conseguiram diminuir a massa humana, que se dispersou em parte, com medo de ser atropelada. Quando desceram dos carros, os guardas usaram cassetetes, conseguindo então serenar totalmente os ânimos. Mas até as 18:40 na rua Barão de Itapetininga havia pessoas paradas em numero maior que o comum. 

relato do jornal 'O Estado de S.Paulo' de quinta-feira, 2 Março 1967


Agnaldo in the cover of 'Eu Canto' circa 1961 - his 2nd phase in show business.


1958's Agnaldo Rayol's 1st album was, arguably, his best.




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